Terça-feira, Fevereiro 09, 2010

como se estraga uma boa iniciativa?

Hoje uma das organizações a que pertenço foi convidada a participar na manifestação anti-Sócrates do próximo dia 11, como podem verificar pela imagem nada nesta indica que é uma manifestação anti-Sócrates, mas infelizmente é o que é.
E digo infelizmente porque se trata de algo muito sério, há inclusive um organismo europeu que trabalha actualmente na monitorização dos conteúdos da Internet, apelando à autocensura dos internautas - coisa que afecta, principalmente, todos os bloggers - mas que perde toda a seriedade quando o principal objectivo é culpar o nosso primeiro-ministro José Sócrates quando o que sucede actualmente se deve muito mais aos industrialistas que patrocinam a comunicação social e os partidos (TODOS os partidos, não só o PS).
Erro mais grave quando consideramos que o controlo exercido sob a imprensa e a inexistência duma imprensa livre não é nada de recente, é característico da última década da "democracia" portuguesa e não há político que não seja responsável por esta (do BE ao CDS/PP), culpar o actual primeiro-ministro por isso é como culpar o último bombeiro a chegar ao local de incêndio pelos actos do incendiário.
Isto é falsa oposição, isto é tentar apresentar falsas alternativas (ou seja, o PSD) e apontar falsos culpados a situações de real perigo e de uma falta de liberdade que será cada vez mais evidente, mas a culpa não é de Sócrates é, mais que tudo, de todos nós que nos abstivemos na última década enquanto se fechavam jornais e o jornalismo de investigação desaparecia das páginas dos que sobraram, é de quem nos meteu na União Europeia reféns de decisões tomadas nos bastidores de Bruxelas.
Eu não vou, e podem chamar-me "ser pouco evoluído" ou "cobarde indeciso" que não me importo, estão a falsificar a legitima raiva da perda da liberdade de expressão, a promover uma ilusória oposição e falsas alternativas (o PSD).
Já agora, as marchas pela liberdade de expressão na Europa foram dia 9... mas compreendo que em Portugal, por se tratar duma marcha não pela liberdade de expressão mas contra José Sócrates, seja dia 11...

os reaccionários coloridos

Rinascita – Professor Mutti, tem-se interessado pelo desenvolvimento da Revolução islâmica no Irão desde que, há trinta anos, publicou alguns escritos do Imã Khomeini nas Edizioni all’insegna del Veltro. Actualmente acompanha o desenrolar da política iraniana por intermédio do observatório da revista de estudos geopolíticos “Eurásia”, da qual é redactor. Que lugar ocupa o Irão actualmente no contexto geopolítico?

C. Mutti – Embora se encontre rodeado por potências hostis (os regimes wahabitas e filoamericanos da península arábica) e por países submetidos à ocupação militar ocidental (Iraque, Afeganistão e Paquistão), a República Islâmica do Irão tem vindo a aumentar o seu peso geopolítico, de modo que exerce actualmente uma influência regional que se estende do Tajiquistão até aos movimentos de libertação do Líbano e da Palestina, e entre os países seus amigos encontramos a Turquia e a Síria. Por fim, é fundamental o facto do Irão ocupar uma posição geográfica de enorme valor para a segurança da Rússia e dispor de um património petrolífero de vital importância para o crescimento económico da China. Deste modo, a República Islâmica do Irão pode contar com a solidariedade das duas maiores potências do continente eurásico.

Rinascita – Quem são, na realidade, os manifestantes que a imprensa ocidental designa de “estudantes”, “reformistas”, “ala verde”, “revolucionários” e assim sucessivamente?

C. Mutti – Mais do que de revolucionários tratam-se, na verdade, de autênticos reaccionários, tal como o demonstram dar azo a equívocos as suas próprias palavras de ordem, das mais explicitas entre estas a – “Morte à vilayat-e faqih” – que deseja o fim da governação islâmica. Além disso, são muito dignos de nota as palavras referentes ao seu posicionamento internacional: “Nem Gaza nem Líbano, só me sacrifico pelo Irão!” e “Morte à Rússia e à China!”. Por último, é interessante que os manifestantes tenham ressuscitado o termo “República iraniana”, que era o do usurpador Xá Reza. As reivindicações expressas por estas frases não são pertença de uma mera franja extremista do movimento reaccionário, são também as palavras dos seus líderes. Tanto o são que Mir Hussein Mussavi (o candidato derrotado nas últimas eleições presidenciais) se tem negado a desautorizá-las.

Por outro lado, sabemos que a oposição é uma coligação multicolor que reagrupa indivíduos de várias orientações políticas: reaccionários nostálgicos da dinastia Pahlevi, resíduos dos grupúsculos marxistas que o Imã Khomeini chamava, depreciativamente, de “comunistas Made in USA”, e terroristas democráticos da organização dos Mujahedin do Povo [Muyahidin-e khalq].

Rinascita – Contudo, se não me falha a memória as Edizioni all’insegna del Veltro publicaram uma compilação de documentos dos Mujahedin do Povo…

C. Mutti – Aquele livro (Documenti della guerra sacra) foi publicado em 1979, ou seja, numa altura em que os Mujahedin do Povo lutavam contra o regime colaboracionista do Xá ao lado de outros elementos políticos do povo iraniano. Só posteriormente é que os militantes da dita organização apontaram as suas armas contra os seus compatriotas, responsabilizando-se por sanguinários atentados levados a cabo por células no estrangeiro e merecendo o ignominioso epíteto de munafiqin (“hipócritas”).

Rinascita – Quais são as estruturas estrangeiras que inspiram as acções dos actuais opositores ao governo islâmico?

C. Mutti – Já em Junho de 2009, no discurso pronunciado na ocasião da Oração da Sexta-Feira, o Aiatola Khamenei estabeleceu uma clara relação entre os acontecimentos pós eleitorais no Irão e a chamada “revolução das rosas” orquestrada por Soros na Geórgia. A acusação do Aiatola Khamenei foi confirmada por uma notícia publicado a edição do “Stampa” de 28 de Junho de 2009, num artigo de Maurizio Molinari: O Departamento de Estado estadunidense colocou à disposição dos activistas “reformistas” fundos federais no valor de 20 milhões de dólares. Em 2006 Condoleeza Rice já tinha disponibilizado 66 milhões de dólares para os “dissidentes” iranianos. Já para não falar do dinheiro provavelmente oferecido pelas células estruturas subversivas que intervêm pontualmente no apoio às ditas “revoluções coloridas”: o Center for International Private Enterprise, o National Democratic Institute for International Affais, o International Republican Institute, etc.

Rinascita – Na sua opinião, Khamenei tem os dias contados? O presidente Ahmadinejad cairá?

C. Mutti – Para nos apercebermos do enorme consenso de que goza o Aiatola Khamenei, basta dar uma vista de olhos aos vídeos das manifestações populares organizadas em seu apoio (um desses vídeos encontra-se também no portal da Coordenadora do Projecto Eurásia www.cpeurasia.org). Compare-se os milhões de pessoas que se manifestaram em seu nome com os parcos milhares de hooligans “direito-humanistas” recrutados na sua esmagadora maioria nos bairros do norte de Teerão.

Quanto ao presidente Ahmadinejad, a solidez da sua posição está confirmada pelo consenso eleitoral recentemente decretado em seu favor pelo povo iraniano.

(Entrevista de Davide D’Amario efectuada a Claudio Mutti, “Rinascita”, 15 de Janeiro de 2010)

Segunda-feira, Fevereiro 08, 2010

a dissidência como método (3 de 3)

No que diz respeito à preferência por nós próprios, esta realiza-se sempre com base numa dada situação, um determinado locus histórico, político, económico, social e cultural. No nosso caso dada pelo ecúmeno ibero-americano. Isto obriga a considerar a dissidência como um pensamento situado que tem como princípio o hic Rhodus, hic saltus (aqui está Rodas, aqui terá que saltar) de Hegel apenas no início da sua Filosofia do Direito.

Isto permite-nos estabelecer um pensamento de ruptura com a opinião pública, que actualmente não passa da opinião publicada.

Este pensamento de ruptura, ou melhor, pensamentos de rupturas, tem-nos permitido dar respostas breves a essa multiplicidade de imagens truncadas com que nos brinda a pós-modernidade a respeito da vida actual. A esses loquazes analfabetos culturais (Fayerabend) que são os jornalistas e os locutores que falam de tudo e mais alguma coisa sem nos dizer se algo é verdadeiro ou falso ou, ainda pior, quando o fazem encontram-se sempre do lado da falsidade. Assim é, porque não passam de meros porta-vozes do pensamento único e politicamente correcto. É desta forma de ver e de pensar as coisas e os problemas que nascem os grandes gestores culturais (os famosos de cada disciplina) que não anseiam a mais do que à consolidação das coisas tal como estão. É que a realidade tal como a vemos em tudo foi quem lhes permitiu serem o que são, e a metafísica ensina que todo a entidade tenta preservar a sua razão de ser.

A ruptura por parte do dissidente, por norma rebelde e marginalizado, deste círculo hermenêutico (da interpretação do que é) transformou-se assim numa massa compacta e impenetrável, pois quando alguém critica as teorias dos famosos (na filosofia o humanismo, na ciência o objectivismo, na arte o subjectivismo caprichoso e arbitrário, na religião o ecumenismo da igualdade universal, na política o progressismo democrático) esse alguém abandona o mundo, acaba marginalizado, alienado, quando não acaba demonizado.

De qualquer modo, a única possibilidade que se vislumbra é a criação de uma teoria crítica com base na dissidência como método, que rompa com o consenso dos satisfeitos do sistema tanto nas sociedades opulentas como nas outras.

Alberto Buela

Domingo, Fevereiro 07, 2010

a dissidência como método (2 de 3)

A dissidência entendida como outro sentido para o que está dado como estabelecido permitiu-nos criar uma teoria verdadeiramente crítica em vez “nominalmente crítica”, como sucedeu em absoluto com a Escola Neomarxista de Frankfurt. Recordo Conrado Eggers Lan, o enojado que estava quando nos Estados Unidos foi recebido por Marcuse do outro lado de um soberbo escritório judicial, comodamente apoltronado enquanto criticava o capitalismo, embora beneficiasse, como poucos, do sistema capitalista.

A produção de uma teoria crítica com base na dissidência exige um compromisso não só político, mas também existencial. É que o outro, na teoria da dissidência, não é o outro que está no autocarro, no eléctrico ou no metro, é o que se me opõe e discorda, o que “localizo” existencialmente. Neste sentido a dissidência rompe com o simulacro da mentalidade ilustrada de “fazer de conta que tenho consideração pelo outro”, por uma exigência civilizada, quando na realidade o que quero é distanciar-me sem que dê por isso. A filantropia, com a sua ocupação distanciada do outro (por ex. com um cheque um filantropo salva a sua consciência, mesmo quando esse dinheiro acaba por ir parar aos bolsos de um sátrapa que compra armas para matar aqueles que afirma querer ajudar) substituiu na modernidade a caridade, que é a preocupação gratuita pelo outro, mas entendido como algo singular e concreto. Por isso falamos, no catolicismo, da “caridade concreta” e os nossos velhos padres crioulos exigiam-nos até que “alcançássemos fisicamente” aqueles a quem auxiliássemos.

É sabido que todo o método é uma via para chegar a algum lado, neste sentido a dissidência, como método, não se esgota no fenómeno como a fenomenologia, pelo contrário privilegia a preferência por nós próprios. Parte deste acto valorizador é como que uma negação profunda da neutralidade metodológica, que é a primeira grande falsidade do objectivismo científico, seja o proposto pelo materialismo dialéctico ou seja o cientifismo tecnocrático. Rompe com o progressismo do marxismo, para o qual toda a negação leva em si mesma a uma superação progressiva e constante. Pelo contrário, a dissidência não é omnisciente, pois pode afirmar “não sei” e, deste modo, transformar-se também num método do saber popular, que se caracteriza por não negar a existência de algo que é ou existe, que quando nega, só nega o vigor desse algo.

Alberto Buela

a "all blacks" e o advento do "nu metal"


Creio que a parte mais marcante da minha vida foi quando era "metaleiro", na altura recordo que uma das editoras de culto era a All Blacks (detentores da Road Runner Records), na qual estavam todas as bandas de culto dos "metaleiros" lá da ilha.
Recordo que na altura me limitava, quase, a ouvir só death e black metal (mais o death que o black, embora aquando da mudança para Lisboa tenha acabado a ouvir quase só black) e o choque que foi quando surgiu o dito "nu metal", uma heresia que misturava hip hop e rap com heavy metal... e algumas bandas mais melódicas, tinha particular horror - não sei porquê - pelos Nickelback, que me pareciam uma espécie de Bon Jovi ou Bryan Adams com atitude.
Sucede que agora é das bandas que menos me custa ouvir, curioso como a All Blacks tem conseguido, ao longo dos tempos, contratar sempre as figuras de proa de todos os géneros. Se bem que actualmente nem tenho tempo para ouvir música e, logo, deixei de comprar cd's, coisas da vida adulta... seja como for, a RRR agora faz parte da Warner Music... o capital tudo compra, desde que dê lucro!

como se dá início a uma tradição?

Há tempos o meu pai telefonou-me, avisando que a lista da minha irmã à Associação de Estudantes tinha ganho as eleições. Das parcas vezes que a via, quando ia de férias aos Açores, mencionava sempre - em tom jocoso - que ela tinha de ser da AE, uma vez que irmão na sua juventude na mesma escola (bom, mudaram a escola de instalações, mas manteram o nome) tinha sido vez e meia presidente da AE, que era uma "tradição de família".
De acordo com o meu progenitor, levou-me a sério ela - irmãos mais velhos do mundo, cuidado com o que dizem aos petizes. Estava agora a ler o último número que recebi do Tribuna das Ilhas, onde entrevistam a presidente da AE da minha irmão e ocorreu-me exactamente isto: "como se inicia uma tradição familiar?"
Esperemos que tenha mais juízo que eu, que vá para o PS ou para o PSD ou, melhor ainda, siga uma carreira académica em vez de a abandonar na recta final, como eu o fiz, por ideais, partidos e atitudes efémeras e ingénuas, derrotadas pela História.
Bravo maninha!

Sábado, Fevereiro 06, 2010

a dissidência como método (1 de 3)

Os filósofos, tal como os cientistas, fazem mais que provar teorias, dispõem de teorias para explicitar o implícito, no caso da filosofia, e para ampliar os limites da ciência, no caso dos cientistas.

Esta verdade transforma-se numa verdade de chumbo, que cai pelo seu próprio peso, que é evidente por si mesma tem sido, e é, de difícil aceitação pois, geralmente, diz-se que têm teorias ou que querem provar uma teoria. O que não é correcto.

O facto de nos darmos conta de que se pode dispor de uma teoria facilita o trabalho de investigação, pois a teoria transforma-se, neste caso, num meio de acesso à verdade e não num fim em si mesmo, como erroneamente é considerada.

A realidade, os parâmetros para falarmos filosoficamente, são a consequência do processo de investigação e das práticas científicas que acabam por validar a teoria. Assim, se essa teoria for verdadeira, confirma essa realidade, esses parâmetros.

A atribuição da verdade, da realidade, da coerência, da consistência, da adequação é o que permite fazer avançar a via do conhecimento. Numa palavra, não se avança justificando teorias, avança-se dispondo de teorias cuja prática cientifica, no caso da ciência, ou cuja prática fenomenológica, no caso da filosofia, possam atribuir uma verdade.

A ciência, da qual a filosofia faz parte, pode ser pensada neste sentido como um conjunto de representações que se manifestam como teorias (Aristóteles), paradigmas (Kuhn), programas (Lakatos), modelos (Popper), e tradições (MacIntyre) que se confirmam na prática, fora do campo da representação.

Nós, neste caso, temos disposto de uma teoria: a teoria da dissidência a partir da qual tentamos explicar o homem, o mundo e os seus problemas com base num ponto de vista inconformista e alheio ao pensamento único, típico da nossa época.

Alberto Buela

Quarta-feira, Fevereiro 03, 2010

tempo de antena

Nota Sobre a Conjuntura: A Economia do Carbono

Na cimeira de Copenhague, houve países a falar sobre a imposição de taxas sobre as importações de bens com carbono intensivo, e que ultrapassam os direitos de emissão de carbono

Nos E.U.A, o Clean Energy and Security Act, aprovado pela Câmara dos Deputados em 2009, apresentou cláusulas sobre taxas de carbono. A legislação permite impor direitos aduaneiros sobre importações como aço, cimento, vidro e papel, oriundos de países que não tomaram medidas para diminuir as emissões. A administração de Obama procura estimular a “economia verde”.

A Assembleia Nacional Francesa e o Senado, em Outubro e Novembro passados, criaram um imposto sobre as emissões de dióxido de carbono a partir de 2010. O governo francês irá aplicar um imposto de 17 euros (25 dólares) por tonelada de dióxido de carbono emitido a partir de 1 de janeiro de 2010. A França alegou que a União Europeia (UE) deve introduzir tarifas de carbono se a comunidade internacional não conseguisse chegar a um acordo em Copenhague. A França tem uma economia com baixo teor de carbono, sendo a maior parte de sua electricidade proveniente de centrais nucleares.

A Nova economia do carbono

Os países desenvolvidos estão a construir a nova ordem económica do carbono no século 21 mediante legislação pertinente, e políticas comerciais. Estão a ser criados processos para garantir a vantagem competitiva baseados no controlo do Carbono. O argumento principal é que se o mundo industrializado tem de aceitar metas para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, em seguida, Pequim e Nova Deli devem fazer o mesmo. Os trabalhadores do Ocidente não podem perder os seus empregos para a China e Índia, países que não estão a fazer cortes mensuráveis, e verificáveis na Green House Gas (GHG). Este movimento ocidental tem preocupado profundamente os países em desenvolvimento pois pode ser uma forma disfarçada de proteccionismo comercial.

Há três tipos de considerações a decidir acerca da imposição de taxas de carbono sobre produtos importados:

1. Criar mais empregos no mundo desenvolvido;
2. Defender as indústrias locais;
3. Recuperar a liderança na economia global.

As taxas de carbono

Crescem os avisos de taxar fortemente as importações com CO2 intensivo. Ao proteger o meio ambiente através de taxas, os países Ocidentais consideram que os outros não devem despejar produtos “tóxicos” em carbono nos nossos mercados. Americanos e Europeus tentaram criar sanções unilaterais em Copenhague, mas sem sucesso.

As taxas de carbono poderão prejudicar o esforço global para combater o caos climático, e ferir o comércio global. Muitos grupos de pressão ambientalistas, desde há muito reclamam a criação de um sistema global de emissões, com mercados. É uma ideia simples: cada Estado recebe licenças de emissão de CO2. Os que querem emitir mais, têm de comprar direitos de emissões de outros países que emitem menos CO2. Idealmente, os países mais pobres ganham dinheiro, e os países ricos têm um incentivo financeiro para reduzir o CO2. Mas o sistema só funciona se todos os Estados participarem - e Copenhague confirmou que isso não vai suceder. A China e a Índia pretendem obrigações mínimas na economia do carbono para dar vantagem competitiva às suas empresas.

Desequilíbrio Geopolítico

Copenhague mostrou ainda falta um equilíbrio Geopolítico. O presidente Nicolas Sarkozy apelou a taxas punitivas da UE sobre produtos com CO2 intensivo. Os franceses estão a trabalhar essas taxas em conjunto com a Alemanha e a examinar como impedir desvantagens para as empresas locais.

Organização Mundial do Comércio (OMC)

A OMC considera as taxas ecológicas como obstáculos ao comércio. Defende a igualdade de tratamento: Mercadorias iguais devem ser tratadas igualmente. É irrelevante se um computador portátil foi produzido em ambiente ecológico, mais oneroso na União Europeia ou menos ecológico e menos oneroso na China ou a Índia. Isto também se aplica a protecção do clima. Países como a Suécia, e a China e Índia criticaram a proposta de taxas de carbono por violarem as regras da OMC e o princípio de “responsabilidades comuns mas diferenciadas” estipulado no Quadro da ONU para a Convenção sobre Alterações Climáticas (UNFCCC)

Existe aqui uma janela de oportunidade com intervenções no sistema de comércio mundial para travar os países poluidores ou levá-los a negociar. Quando se trata de produtos especialmente nocivos para o ambiente, tais como aço, cimento, vidro e papel, é possível imaginar taxas. Isso significaria que as tarifas seriam reduzidas para os bens que são produzidos de forma ecológica. Países como a França e blocos como a União Europeia irão experimentar as suas próprias versões das taxas de carbono. Mas as eventuais sanções ambientais são contra os países emergentes.

A questão fundamental é sobre quais produtos querem os países desenvolvidos continuar a produzir no exterior, com baixo custo do trabalho, mas poluição ambiental mais elevada. A regulação entre o Norte e o Sul é o único caminho. E a única forma de evitar uma “Guerra do Carbono” no meio da Grande Recessão em que já se vive

Segunda-feira, Fevereiro 01, 2010

e um pogo para portugal?

enquanto o tempo passa

Realmente, tenho dias geniais em que se ocorrem duas, três ou até quatro postais aqui para esta humilde casa, o problema é que só posso postar depois do trabalho, e quando finalmente chego a casa por mais que tente... já nada me ocorre, nem as críticas mordazes ao Estado, nem a ideia genial de um modelo alternativo de autonomia... nem aquele capítulo ultraespecial da minha novela de ficção científica, é o vazio...
Já me ocorreu que aparentemente só quando estou deprimido e sozinho é que me surge a dita musa inspiradora. Será mal geral?

Quinta-feira, Janeiro 28, 2010

presidente do senegal propôe regresso de haitianos a áfrica

O Presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, declarou hoje querer favorecer o "regressos de haitianos a África", oferecendo uma nova terra em África a estes descendentes de escravos após o sismo mortífero de terça-feira na ilha das Caraíbas.
Numa entrevista à rádio France Info, o Presidente senegalês justificou a sugestão com o estado da tragédia hoje vivida no Haiti.
"A calamidade que se abate sobre o Haiti leva-me a propôr uma solução radical: criar em África, seja onde for, algum lugar onde africanos possam" regressar às origens e tenham o seu espaço próprio.
i, 17 de Janeiro.

Quarta-feira, Janeiro 27, 2010

tempo de antena

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tempo de antena

Antes Verde Eufémia que Amarelo Transgénico

Na sequência do corte de cerca de um hectare de milho transgénico, há dois anos, em Silves, há seis arguidos no processo que decorre na Justiça portuguesa. E há um movimento de pessoas que se solidarizam com os acusados deste processo e com a acção do Movimento Verde Eufémia.

O Algarve foi a primeira região portuguesa a declarar-se Zona Livre de Transgénicos. Em contrapartida, a Herdade da Lameira foi a primeira propriedade da região a cultivar milho transgénico, no caso da variedade MON810, violando a declaração e desrespeitando a vontade da população.

A 17 de Agosto de 2007, cerca de 150 pessoas dirigiram-se à Herdade da Lameira, perto de Silves, para protestar activamente contra o cultivo de transgénicos, num acto simbólico que ceifou menos de um hectare dos 51 hectares de milho transgénico da propriedade. Na ocasião, os activistas ofereceram ao agricultor, publicamente, sementes para recultivar todo o terreno com milho biológico. A proposta foi rejeitada, a herdade continua a cultivar milho transgénico.

Nos dias que seguiram à acção, a vasta atenção mediática que o Movimento Verde Eufémia recebeu instigou uma grande polémica, com ressonância no público em geral, no próprio movimento ambientalista, no governo e nos meios académicos. Nunca uma acção ambientalista recebeu tanta atenção na história recente em Portugal.

Face à mediatização da acção, o governo, responsável por uma política favorável aos organismos geneticamente modificados (OGM), reagiu com agressividade, numa tentativa de isolar os activistas do Movimento Verde Eufémia, através da mesma estratégia de amedrontamento e criminalização que toda a União Europeia reserva para qualquer movimento contestatário. Nesse sentido, chegou-se ao ridículo de rotular a acção como um acto terrorista (Europol EU Terrorism Situation and Trend Report, 2008). Há pessoas relacionadas com caso pela polícia que foram constituídas arguidas e que podem ser julgadas e punidas. Tornou-se mais difícil agir contra os OGM em Portugal. Os indivíduos, ou organizações que o fazem, correm o risco de ficar sob suspeita e vigilância das autoridades.

Com este benefit pretende-se:

1. Mostrar solidariedade com as pessoas acusadas no processo Verde Eufémia;

2. Obter fundos monetários para o processo judicial do caso;

3. Mostrar a todos os actores envolvidos no debate que a acção do Movimento Verde Eufémia não é um caso isolado no contexto histórico português e muito menos no actual contexto internacional, onde este tipo de acções são comuns, em particular contra o cultivo de OGM;

4. Promover a discussão sobre o tema dos transgénicos em Portugal;

5. Promover o debate sobre o conceito de desobediência civil, do seu valor como uma forma de participação activa e empenhada da sociedade civil e da sua necessidade para salvaguardar as pessoas e o ambiente. Defender a liberdade de expressão.

Convidamos, por isso, todos os que se sintam identificados com os objectivos deste grupo a promover acções de solidariedade em volta deste tema.

Info da conta para donativos no apoio judicial da acção:

Conta 0006 0947 8355
NIB 0007 0000 00609478355 23
IBAN PT50 0007 0000 0060 9478 3552 3
SWIFT/BIC BESCPTPL

Terça-feira, Janeiro 26, 2010

o abominável dr. phibes

Este fim de semana vi clássico O Abominável Dr. Phibes, com o eterno Vincent Price. Verdade seja dita que o filme, em termos de história, não vale muito... mas impressionou-me de tal modo que não resisti a ver, quase de seguida a sequela O Regresso do Abominável Dr. Phibes (esta decorre no Egipto e, aparentemente, houve dinheiro suficiente para cenários mais completos, inclusive num barco de cruzeiro).
O que mais me agarrou terá sido a exótica parceira feminina do Dr. Phibes, Vulnavia. A sensualíssima e silenciosa cúmplice do enlouquecido e deformado autor (interpretada no primeiro filme por Virginia North e, na sequela, pela ainda mais sensual Valli Kemp (na foto, a tocar violino) - creio que a minha cara-metade não se importará com os meus elogios, tratam-se de sexagenárias ou, provavelmente, já defuntas actrizes).
Creio que o toque que nos chama a atenção é o de esta se mover sempre em passo de dança, há um não sei o quê de sinistro no modo como estas duas actrizes se movem. Os filmes quase que valem só por elas. Leiam esta detalhada crítica de Joe Romano a estas duas obras menores do cinema mundial.

Segunda-feira, Janeiro 25, 2010

a limitação novilinguista

Encontro-me a traduzir um artigo que recebi do meu amigo (não sei se ouse dizer colega geopolitólogo... ainda estou décadas atrás da sua obra) Alberto Buela, intitulado A Dissidência como Método. O texto, originalmente em castelhano argentino, é exemplar.
Mas deparo-me com dois problemas, o primeiro lida directamente com a formação filosófica do autor, os filósofos tendem a utilizar termos pouco alcançáveis pelas massas, e o segundo com o emburrecimento geral a que temos sido sujeitos nas últimas décadas, mais concretamente ao emburrecimento que acompanha a novilíngua, mais que um efeito secundário: provavelmente o real propósito desta!
O trabalho do tradutor nunca foi muito grato, daí a expressão "tradutor traidor" que até se tornou em rubrica da semi-existente revista Futuro Presente, mas actualmente é-o ainda menos. Porquê? Pois bem, há que ter o cuidado em utilizar palavras que sejam simultaneamente compreensíveis pelo público e modernas, digo modernas porque estou consciente das dezenas, ou até centenas, de palavras da língua portuguesa que "desapareceram" ou cujo significado foi alterado.
Aos leitores que tenham dúvidas, aconselho-vos vivamente o exercício de comprarem o dicionário mais recente que encontrarem, nalguma grande superfície livreira. Feito isto, vão a algum alfarrabista e comprem um qualquer dicionário dos anos 30 até 60. Olhem, em alguns casos podem comprar algum dicionário até mesmo dos anos 80 e 90. Depois é ir comparando as mudanças, algumas subtis - outras nem tanto, a que a nossa língua tem sido sujeita... verão que depois de o fazerem, o Acordo Ortográfico já parece coisa irrelevante e insignificante.

Sexta-feira, Janeiro 22, 2010

revista "dagon" é lançada amanhã

Amanhã às 16h30, no Clube Literário do Porto, e decorrendo até às 18h30, será lançada a revista Dagon, o seu primeiro número (podem ler o número 0 em .pdf aqui) em papel. O evento contará com a presença de Luís Filipe Silva e João Barreiros (autores veteranos da ficção científica portuguesa, quem não os conhece que compre O Sol desta semana).
Podem aceder ao programa do lançamento aqui. Presumo que os leitores desta casa já sabem que o título da revista me agrada sobremaneira, para os leitores mais recentes ou mais esquecidos reencaminho-os para os Murmúrios das Profundezas (haverá sequela, é uma questão de paciência).
Acerca deste lançamento, mas não só, podem ler o meu Edição Independente (primeiro de uma série de artigos sobre o tema) no Ficção Científica & Terror Fantástico.

Quinta-feira, Janeiro 21, 2010

identidade

Na minha terra, Açores, hoje é Dia dos Amigos, uma tradição que celebrei durante toda a minha vida no arquipélago, creio que compartilho convosco um poema da Rosa Silva em vez de me prolongar muito mais acerca do mesmo. Em Portugal (Continental) não conheço nenhuma tradição parecida...

Quarta-feira, Janeiro 20, 2010

...

um sábado diferente dos outros

Estive no passado Sábado na apresentação da obra Guerra Justa, Terrorismo, Estado de Urgência e Nomos da Terra, de Alain de Benoist, pelo Prof. Mendo Castro Henriques na livraria-bar Les Enfants Terrible (Cinema King).
Coube-me a tarefa de abrir a apresentação, um tanto ou quanto desastradamente apesar de já estar habituado a discursar e a conferenciar e público (não estava num dos meus melhores dias, é verdade), na qual falei, por alto, das minhas impressões da obra, e de como conheci pessoalmente Alain de Benoist, personalidade praticamente desconhecida do grande público embora esta seja a 9ª obra da sua autoria publicada nestas lusas terras.
Feito isto, passei a batata quente ao Prof. Mendo Castro Henriques que nos elucidou, capítulo a capítulo, acerca do conteúdo da obra e da sua opinião/posição pessoal acerca dos assuntos abordados, boa parte deles não coincidentes ou, como referiu: "A leitura do livro vale muito por levantar muitas questões importantes, embora apresente as respostas erradas".
Pessoalmente, agradou-me a riqueza de informações adicionais com que o Prof. Mendo Henriques nos brindou - o formato da apresentação era de tertúlia, e a acústica da sala é exemplar, por isso houve troca de impressões e opiniões entre os presentes, fossem estes oradores ou membros da plateia - no rescaldo desta apresentação, um comunicador nato portanto!!
Creio que, tratando-se do facto de se tratar da obra de um autor eurásico apresentada por um atlantista, dificilmente a Antagonista poderia ter optado por personalidade mais adequada, quantas pessoas conseguem discordar das posições de alguém, não olvidando nem ignorando o talento académico e ideológico desse alguém? Muito poucas, que eu saiba, e o Prof. Mendo Castro Henriques é uma delas.

coisas...

Bom, infelizmente não consigo personalizar os vídeos do programa de John Zerzan para o blogger, mas podem acedê-los na página da Anarchy Radio. O mesmo encontra-se aqui nas redondezas ibéricas, é um dos participantes dos eventos organizados em Espanha pelos meus antigos companheiros da CGT, entre outros locais, também na Universidade Autónoma de Madrid.
Dito isto, informo os meus parcos leitores que este blogue está a concorrer ao Super Bock Super Blog Awards, para votarem nesta casa têm o ícone aí à direita (só conta a partir de 24 de Fevereiro), desde já fico-vos grato pela preferência.

Terça-feira, Janeiro 19, 2010

pedidos impossíveis (do último natal)

Terça-feira, Janeiro 12, 2010

avatar

Sendo um entusiasta do género - eu sei, eu sei, ficção científica e eco-anarquismo não deviam bater bem um com o outro, mas até batem neste filme - não resistir a uma ida ao cinema para ver Avatar, o filme do momento.
As minhas expectativas eram baixas, Hollywood não tem andado no seu melhor na última década, os filmes agora são adaptações de jogos de computador, de séries de tv, de livros ou re-makes de filmes anteriores a esta década. Ainda por cima o filme está em 3D em todo o lado, coisa que para quem tem estigmatismo -como é o meu caso - não é muito animadora. Mas lá fui, e a dor de cabeça com que saí valeu bem a pena.
A tecnologia cinematográfica neste filme é realmente um marco, como Matrix ou O Senhor dos Anéis o foram, tudo parece tão real, as rochas, as águas, as criaturas de aspecto reptilário e, acreditem-me, a cena nocturna é realmente de outro mundo, algo nunca visto em cinema.
Bom, quando saí da sala confessei a um amigo que, para todos os efeitos, "depois de ver Avatar, O Senhor dos Anéis parece-me demasiado realista..." E se a tecnologia por si só vale a pena, o filme até tem uma espécie de argumento!!
Se bem que, coisa de activista calejado, não me escapou a dica: numa das cenas em que analisam a ficha de combate da personagem principal - um fuzileiro estadunidense - constatam que combateu na "Venezuela, foi uma guerra tramada" (o filme decorre no futuro). Estará o bom Tio Sam já a mentalizar a opinião pública para uma suposta "inevitabilidade"?
Fora isto, os Navi, a tribo selvagem cujo modo de vida - e por consequência, identidade - o invasor capitalista americano tenta destruir, demonstra uma espiritualidade e um apego à Natureza de uma saudável tónica pagã e ancestral... uma que talvez, agrada-me pensar, os humanos já tenham tido há milénios, mas cuja memória desapareceu por completo.
Se não o foram ver, deviam. Tanto pela parte tecnológica, pela mensagem de uma sadia vida primitivista, pela crítica ao grande capital apátrida, ao militarismo mercenário ou até pelo que transparece da velha Tradição. Razões não faltam, há interpretações para todos. Mas é impossível contornar a certeza de que este é um daqueles filmes que marcam a transição de uma época cinematográfica.

Segunda-feira, Janeiro 11, 2010

nota aos leitores

Como podem verificar logo abaixo, abandonei uma das regras pelas quais tentei regular este blogue desde a sua fundação: a de só publicar textos originais, da minha autoria. Feita uma ronda blogosférica, parece-me que nenhum outro blogue tinha tal política, desde a extrema-esquerda mais alternativa, acabando na direita capitalista mais dentro do sistema e passando pela blogosfera anarquista, é coisa comum - de quando em vez - espetarem com um comunicado de uma qualquer entidade ou um artigo de opinião de um qualquer terceiro. Assim sendo, doravante quando receber um comunicado das instituições a que pertenço - ou alguma com a qual simpatize - e me deparar com algum artigo que considere relevante para os leitores desta casa, passo a reproduzi-lo na integra, indicando a respectiva fonte, claro.

tempo de antena

Comunicado MIL sobre as Emissões Televisivas Lusófonas em Espaço Português

Apesar das programações televisivas não terem, muitas vezes, a qualidade desejada, o certo é que, por esse mundo fora, a televisão é ainda o grande meio de comunicação de massas. Inclusive no espaço lusófono e, no âmbito deste, no espaço português.

Em Portugal, já há de resto uma grande generalização dos canais por cabo e satélite, que oferecem a todos os telespectadores dezenas, quando não centenas, de possibilidades. Mesmo num leque tão aparentemente variado, continuam a faltar, contudo, outros canais lusófonos – nas grelhas padrão, aparecem apenas, quanto muito, canais galegos e brasileiros.

Nessa medida, o MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO apela a que:

1. Os operadores televisivos públicos e privados que operam em Portugal incluam mais canais de outros países lusófonos.
2. A RTP invista mais na RTP Internacional e na RTP África, que a SIC Internacional reforce a sua dimensão lusófona e que a TVI lhe siga o exemplo.
3. A CPLP equacione a concretização de um canal à escala lusófona, a ser gerido por todos os países dessa Comunidade.

Já que a televisão continua a ser o grande meio de comunicação de massas, usemo-lo em prol de um maior conhecimento mútuo entre todos nós, lusófonos.

"avenida marginal" chega à blogosfera

O jornal açoriano "Avenida Marginal" chegou finalmente à blogosfera, uma lacuna quase imperdoável nos dias de hoje.
Sou um dos colaboradores ocasionais do jornal, embora me ande a descuidar, até agora somente com histórias de ficção e alguns registos bibliográficos (memórias).
O jornal é trimestral, de teor cultural e, o mais ousado, de distribuição gratuita. O director é o poeta açoriano Heitor Aghá Silva, velho conhecido meu, amigo e visita da minha família desde que me lembro de ser gente.

Quinta-feira, Janeiro 07, 2010

descoberta musical do dia

A descoberta musical do dia é uma efeméride que este blogue há muito abandonou, embora tenha tido o intuito de a manter como secção permanente o tempo passou, correu e até saltou antes que tivesse a paciência de a ressuscitar.
Pois bem, hoje descobri os White Lies, por intermédio da música "Death", (carregar aqui para ouvir). E a página oficial dos moços também é como nenhuma outra que eu tenha visto, ganham o prémio por originalidade cá do tasco. Sei que pode parecer redutor, mas recordam-me simultaneamente os Joy Division e... os Blur, no seu apogeu.
A verdade é que senti mais esta canção do que a ouvi, o tom despertou-me a memória sensorial para noites em branco nas ambiências mais góticas e alternativas do Bairro Alto e do Cais do Sodré (parece que foram noutra vida), entre fumos e shots de absinto afogados em cerveja... a coragem líquida de qualquer "weekend warrior" que se preze.
A ouvir: Unfinished Business, Death, To Lose My Life e Farewell to the Fairground.

Quarta-feira, Janeiro 06, 2010

sobre o nobel

Domingo, Janeiro 03, 2010

"queremos o rei e os sovietes"

Creio que começarei o ano por explicar uma ligação que, muitos, crêem ser impossível: como raios pode um anarquista militar num partido monárquico? Muitos, aliás, já consideram uma heresia um anarquista militar num partido, mas como o anarquismo histórico - na Guerra de Espanha mas não só - teve partidos e militantes partidários, creio que vou esclarecer somente a primeira dúvida.
Bom, alguns dos leitores desta casa já devem ter notado que, não raramente, menciono aqui a vida do Partido Popular Monárquico. Não é inocente, sucede que sou há um bom número de anos militante do PPM e há muitos mais ainda activista deste, desde a coligação deste com o PDA e o (extinto) PDC. Fui inclusive candidato deste partido diversas vezes.
Aliás, eu ainda me recordo dum PPM sem Câmara Pereira... mais alguém?
Ora bem, para entender a minha filiação no PPM creio que fica bem recordar a fundação do partido. Ou melhor, alguns dos fundadores deste. Será quase um lugar comum recordar que o Rolão Preto foi um dos fundadores (personagem que me é muito cara, mais pela sua interpretação do sindicalismo revolucionário que por outras divagações), a minha filiação vai beber às ideias de Rolão Preto, é verdade, mas vai-o também - e até mais - beber à fonte quase desconhecida, ignorada e até ocultada de João Camossa, anarquista e monárquico como poucos!
E se na década e meia de activismo no PPM, seja como mero colaborador ou já na tardia condição de militante deste, sempre me escudei no sindicalismo radical de Rolão Preto e no anarquismo de João Camossa, nos últimos anos - e em parte graças à (extinta) Magazine Grande Informação - tenho acompanhado mais de perto as posições da Casa Real Portuguesa, na pessoa de D. Duarte, e muito me têm agradado.
D. Duarte, padecendo infelizmente com a ausência do dom do carisma, tem posições muito boas - radicais até - em questões de justiça social. É um homem muito mais "à frente" e à "esquerda" do que a esmagadora maioria dos seus apoiantes, disso tenho toda a certeza. Infelizmente não tem o porte de um charmoso canastrão de Hollywood, não é galã de novelas, não é capitalisticamente nem jornalisticamente vendável... não é plástico o suficiente, mas tem ideias, coisa ultrapassada, tem preocupações genuínas não só com o rumo da Pátria mas com a deriva do seu povo... como é da tradição, certamente só lhe darão valor quando for tarde demais.
Enfim, estando ou não no PPM gostaria apenas de ressuscitar um dos gritos de guerra de um outro Portugal, de um Portugal também perseguido pelo Estado Novo, um Portugal revolucionário, social e patriótico, de camisa azul: "Queremos o Rei e os Sovietes!"

Sábado, Janeiro 02, 2010

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primeiro postal do ano

Bom, após um encharcado concerto dos GNR (em que cheguei mesmo a tempo de ouvir o Rui Reininho afirmar que "Janeiro é o mês em que nós, judeus, comemoramos a circuncisão" ao que acrescentou "já bebi demais") em que tomei a consciência de que se adoro algumas das músicas dos GNR, consigo ouvir todas as dos Xutos e Pontapés sem me enfadar com nenhuma, o que não sucede com os GNR, posso passar horas sem fim a ouvir Pronúncia do Norte, Mais Vale Nunca, Sub 16 (música que cantei ansioso por atingir a dia idade, onde ela já vai), Sangue Oculto e até a Dunas... mas a maior parte não me diz nada.
Nunca esperei ter que esperar numa fila gigantesca para atravessar uma ponte pedestre, mas a afluência à passagem de ano em frente à Torre de Belém foi muito maior do que eu esperava, mais 2 minutos e teria passado as doze badaladas no meio da ponte entalado entre a meia dúzia de travestis brasileiros que estavam à minha frente na fila e a família tradicional (pai, mãe, avó, avô e netos) que estava atrás de mim.
Na verdade o ambiente em nada me tocou, aparentemente o Natal (que ainda vai sendo a minha época favorita do ano - em criança preferia o Carnaval, contudo), a passagem de ano e todos os rituais sociais de massas já pouco me animam. Ou estou a migrar de nacional-anarquista para anarco-individualista, ou estou a padecer com algum ligeiro estado depressivo ou, o mais provável, não vejo muito que comemorar nesta actual sociedade... mas tenho bom remédio, assinando de cruz a mote do Daniel Nunes Mateus: "fazer a mudança é fazer a diferença. E [para] fazer essa mesma alteração, não é preciso ser-se o estereótipo do revolucionário habitual. Basta uma atitude diferente e a partilha com os outros."
Bom, em grande medida sou o estereótipo do revolucionário (na medida em que frequento embaixadas de regimes revolucionários, envergo t-shirts com o Dr. Ernesto Guevara e não contemplo uma mudança renovadora ou reformadora na sociedade) e por outro lado o seu oposto (na medida em que frequento associações realistas - ou monárquicas - e alguns ambientes de direita). Quem sabe nesta síntese não reside a esperança do futuro? Esse "fazer a diferença"?

Quinta-feira, Dezembro 31, 2009

2010 é que é

Como consequência de uma alteração radical de carreira (certamente resultado da minha crise de quase meia idade, isto já dando como certo não viver até aos sessenta anos) creio que em 2010 poderei actualizar mais frequentemente esta casa, e não só com os vídeos com que os tenho habituado.
A ver vamos se a blogosfera, tanto à esquerda como à direita, se aguenta de pedra e cal. Verdade seja dita que dos blogues que visitava assiduamente sobram poucos, muito poucos, e com actualizações muito dispersas. Preocupa-me que numa altura destas na vida do país, ou mesmo na vida do mundo, não se note grande reacção por parte dos portugueses, nem a nível de agitação política, de repúdio público ou - o que seria simultaneamento fácil e anónimo - de blogosfera.
Estamos no estágio já do "cadáver adiado que procria"?
Votos de um 2010 cheio de dinheiro, pois ele anda aí (os centros comerciais e os hipermercados a abarrotar de gente o provam), embora mal distribuído.

Segunda-feira, Dezembro 28, 2009

menos um na blogosfera

Como salta à vista há muito que não actualizo o blogue condignamente, tenho estado ocupado com outros projectos e, eu sei que é uma desculpa esfarrapada, o novo formato da caixa de redacção dos postais do blogger desagrada-me muito, é uma cópia da do wordpress, se eu quisesse escrever numa porcaria destas não estava no blogger, mas adiante... este post serve meramente para assinalar o abandono do F. Santos da blogosfera, já várias vezes referi que a migração blogosférica deste inspirou a criação deste blogue. Espero que seja um "até já" e não um "adeus.

Quarta-feira, Dezembro 23, 2009

porque é natal!

Dedicado a um camarada caído.

Segunda-feira, Dezembro 21, 2009

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Domingo, Dezembro 20, 2009

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Quinta-feira, Dezembro 10, 2009

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Quinta-feira, Dezembro 03, 2009

campos e sousa na ship


4 de Dezembro, 6ª Feira, às 21H 30, José Campos e Sousa, acompanhado pelo contrabaixista Gonçalo Couceiro Feio, estará a cantar na SHIP - Sociedade Histórica da Independência de Portugal, ao Rossio em Lisboa.
O tema central será o seu mais recente CD: “São Nuno de Santa Maria - Por Portugal, e mais nada”, mas também serão interpretados temas do CD « Rodrigamente Cantando » acabado de reeditar. Aguarda-se a presença dos amigos - e se os amigos levarem com eles outros amigos, tanto melhor.

Sábado, Novembro 28, 2009

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Domingo, Novembro 22, 2009

de leitura obrigatória

cala-se uma voz...


Fui apanhado de surpresa pelo postal do Miguel Vaz, mas a realidade é incontornável: faleceu Jorge Ferreira, leitor desta casa e autor do Tomar Partido, que acompanhei nos seus três formatos. Fica a blogosfera mais pobre.

bardo lusófono



Conhecendo a obra do quase desconhecido - certamente que não encontram os seus discos nas lojas convencionais - José Campos e Sousa »»continuar a ler»»

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novo blogger e novos blogues


Só hoje travei conhecimento com o novo blogger e as suas funcionalidades, como sou criatura avessa a mudanças não posso dizer que gostei (principalmente das opções de configurações de imagens). O blogger passa agora a ser um quase clone do wordpress, plataforma que nunca me agradou por não ser tão user friendly como o blogger. Vou ter que ma habituar, que remédio...
Bom, vamos às novidades:
O Movimento Internacional Lusófono conta agora com um blogue próprio, o Milhafre (nome muito atractivo para um açoriano, como eu), com a opção - da qual discordo vivamente - do blogue da Nova Águia ser agora local exclusivo para as notícias referentes à revista e para a opinião dos seus directores, parece-me meramente mais um passo para o alienamento e encerramento do projecto, mas espero estar enganado.
Pela mão de Daniel Nunes surjo em mais um blogue colectivo, o Fazer a Mudança.


Sexta-feira, Novembro 20, 2009

persistência identitária

Inactivo há um ano, o PDA retoma a actividade partidária. Este mês, no próximo dia 27, o Partido Democrático do Atlântico promove um jantar para comemorar 30 anos de existência. No início do ano , vai ocorrer o 14º Congresso do único partido com sede nos Açores.

Quinta-feira, Novembro 19, 2009

coisas de fã