o tardio despertar do partido popular


Escrevo estas linhas no rescaldo da “dissonância” vinda a público, na passada semana, acerca da disciplina de voto dos deputados do CDS/PP em questões “fracturantes” (tidas como bandeiras do Bloco de Esquerda graças, verdade seja dita, a esforço do próprio). Parece que parte do partido só agora se apercebeu do triunfo da “Direita dos interesses” e da irrelevância interna da “Direita dos valores”. A meu ver, já tarde piam.

Num partido cujo eleitorado habitual se situa entre a Direita conservadora e alguma “extrema-direita” (até o próprio PNR já admitiu, em comunicado, que boa parte do seu eleitorado alvo, na hora da verdade, mete a cruzinha no CDS/PP), onde uma base militante supostamente patriota tem tolerado tudo e mais alguma coisa, até à expulsão de concelhias inteiras de militantes tidas como “demasiado radicais” (caso do Barreiro).

Coisa curiosa esta que num partido supostamente patriótico somente um deputado se oponha à extinção do feriado da Restauração da Independência (1º de Dezembro). Que num partido de “valores” (recorde-se que o eleitorado e a base militante que paga quotas faz eleger deputados com base no pressuposto de que estes representem os seus interesses políticos e afinidades ideológicas) alguns deputados, logo aquando do convite para integrarem as listas, negoceiem excepções de voto com o presidente do partido.

Iniciei a minha vida política partidária na Juventude Centrista – Gerações Populares (a actual Juventude Popular), ocupando cargos locais, regionais e nacionais nessa estrutura e nos primeiros anos da JP. Embora “levado” para as suas fileiras inspirado pela figura do Dr. Manuel Monteiro, no Partido Popular de Portas exerci também um cargo local, até bater com a porta. Creio estar numa boa posição para dizer o seguinte: oh meus amigos, a derrota da “Direita dos valores” já é velha de, pelo menos, uma década. Não se façam de virgens ofendidas agora, ou acham que aceder ao poder não tinha o seu preço?

A meu ver só há que ter pena de uma coisa: que o Partido da Nova Democracia fundado pelo Dr. Manuel Monteiro já não exista, pois esta sim era a sua hora (quanto àquele sucedâneo madeirense, nem o logótipo se lhe aproveita, pese embora a manutenção da sigla). Pode ser que agora a base eleitoral do CDS/PP vote onde deve, à Direita dos valores ainda sobram os PNR, PPM, PDA e MPT (até ver).

O Diabo
10 de Abril, 2012.

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