Com os fogos que têm assolado o país (como quase todos os anos, o que já não é surpresa, surpresa mesmo é a eterna ausência de preparação e meios para os combater e o mau estado das viaturas dos bombeiros, que em dois casos distintos já nem conseguiram chegar perto do lume), a morte de José Hermano Saraiva (douto educador que tive o prazer de conhecer aquando de uma conferência sua na antiga Escola Secundária Dr. Manuel de Arriaga, num evento organizado pelo Dr. Paulo Estêvão e o grupo de História dessa escola) e o burburinho em redor de Miguel Relvas (que tresanda à velha guerra de aventais entre a Grande Loja Regular e o Oriente Lusitano) tem tardado a chegada da dita “silly season”.Por cá aguarda-se ansiosamente a marcação das Regionais 2012, na pré-campanha até ver a única vítima parece ser o açorianíssimo Partido Democrático do Atlântico (este ano já lhes roubaram um dispendioso e gigantesco outdoor em Ponta Delgada, hackearam-lhes o portal na Internet por duas vezes distintas [www.pda.com.pt] e, no passado dia quatro de Julho, após grande insistência junto da comunicação social – o contacto do meu semanário faz parte da lista de correio deste partido, como de quase todos – teve que levar a cabo aquilo que Rui Matos, o novo presidente desde Janeiro, apodou de “conferência de imprensa sem imprensa”, dada a ausência de todo e qualquer jornalista). Digam-me lá se, para um partido praticamente inactivo, que tem estado um tanto ou quanto mortiço na última meia dúzia de anos, não se estranha tamanha aversão? Alguém lhe tem vindo a devotar um especial e invulgar ódio este ano.
Resta saber se o boicote mediático irá prevalecer durante as eleições, isto tendo em mente que em Maio deste ano a Comissão Nacional de Eleições (CNE), passado um ano, sempre veio a público denunciar a vergonhosa censura que é efectuada na dita “democracia” portuguesa contra os partidos extra-parlamentares, curiosamente já debate com vários colegas de jornais nacionais este tema e, aparentemente formatados todos aquando do curso de Comunicação Social, acham todos bem que os chamados pequenos partidos não tenham tempo de antena por os considerarem “irrelevantes”, como se as pessoas alguma vez pudessem votar em partidos acerca dos quais nada sabem dado a sua ausência dos jornais e televisões nacionais! Estou sempre em crer que o Estado Novo nos deixou uma mazela quase genética quanto ao verdadeiro significado de “democracia”.
Pois bem, dizia eu que passado um ano a CNE finalmente deliberou que houve uma violação do direito de igualdade de tratamento por parte das RTP, TVI e SIC e que os partidos mais afectados foram o MPT – Partido da Terra, o PND – Nova Democracia, o PPV – Portugal Pró-Vida e o muito nosso PDA – Partido Democrático do Atlântico. Gratos ficamos ao Dr. Garcia Pereira, autor e impulsionador da Providência Cautelar que deu origem a esta deliberação da CNE, por esta pequena e amarga vitória (amarga por já sabermos que para nada servirá, pois a CNE reencaminhou o processo para a ERC – Entidade Reguladora da Comunicação Social – e, como ficámos a saber aquando da querela entre o ainda ministro (suspeito que não por muito mais tempo, mas a ver vamos) Miguel Relvas e um diário lisboeta, a ERC mostrou não regular grande coisa, salvo cobrar e identificar, de modo PIDEsco, todo e qualquer suposto órgão de comunicação social (até aos boletins de paróquia e às fanzines fotocopiadas, e já tentou colocar sob a sua alçada a blogosfera lusa, espaço ainda de relativa liberdade), seus colaboradores, directores, proprietários e distribuidores.
Sobre os fogos, creio ser digno de nota estranhar a violência com que estes assolaram a Madeira este ano, atingindo vários pontos da ilha e, dada a hipótese vinda a público de fogo posto, a provar ser verdade trata-se de um crime da maior gravidade e não se sabe ao certo quais as suas repercussões, quais os danos nas terras, matas, infra-estruturas e, claro, impacto na indústria turística (péssima opção para qualquer economia que se queira autosustentável, mas crucial na Madeira), um novo desafio para o incontornável Alberto João Jardim.
Publicado no Incentivo
? de Julho de 2012.
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