Não sei se a comunicação social de massas, na qual este jornal logicamente nunca se inseriu, tem dado cobertura à proibição que os presidentes das câmaras de Boston e Chicago levantaram contra uma cadeia de fast food dos Estados do Sul. Refiro-me à Chick-fil-A, propriedade de Truett Cathy, fundada em 1946 esta cadeia estadunidense começou como um negócio de família e, pese embora os milhares de restaurantes que detém actualmente, regula-se pelos valores da família que a fundou e ainda gere: trata-se de conservadorismo de Direita, puro e duro, de inspiração cristã.
A influência do lobby gay pareceu ter atingido o seu pico com o apoio de Barack Obama ao casamento gay, mas a opinião pública americana exalta-se agora com o que considera um ataque simultâneo à liberdade de expressão e à livre iniciativa (qualquer uma das suas consideradas como sagradas nas terras do Tio Sam): os presidentes das câmaras de Chicago e Boston, liberais até ao tutano, não só recusaram as licenças necessárias para a cadeia poder abrir restaurantes nas suas cidades como fizeram gala de tornar público que o faziam por questões políticas: o dono da cadeia manifestou-se, no decorrer de uma entrevista ao The Ken Coleman Show, um programa de rádio de difusão nacional, na qual afirmava ser contra o casamento gay, e esta era a paga.
No passado dia dois de Julho várias associações de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Transexuais e Simpatizantes tornaram pública a sua investigação na qual descobriram, oh horror dos horrores, que não só Cathy era contra o casamento gay e a adopção gay como tem doado alguns dos milhões dos lucros da sua empresa a associações conservadoras e cristãs que, óbvio, têm promovido várias campanhas contra o lobby gay.
Entretanto, ao coro constituído por Thomas Menino (presidente da câmara de Boston) e Rahm Emmanuel (presidente da câmara de Chicago e ex-Chefe de Gabinete de Barack Obama na Casa Branca) juntou-se agora a voz de Edwin Lee (presidente da câmara de São Francisco) regozijando-se que o restaurante mais próximo da cadeia se encontrava “a 20 quilómetros da cidade, e sugerimos que não se aproximem mais”.
Entretanto uma das empresas que fornece os brinquedos para as refeições infantis da cadeia, que sempre optou por brinquedos educacionais e inclusive bonecos de figuras bíblicas, já tornou público que não só vai cortar laços com a cadeia como vai doar o equivalente do lucro obtido a uma organização de “defesa dos direitos dos gays”. Contudo há ainda quem finja que a existência da maricagem militante é fruto da imaginação da Direita conservadora…
31 de Julho de 2012

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